(um)a dança que não sonhei para um corpo que vai sendo

IMG_20180210_142128807 quero falar da dança que eu não sonhei. uma dança que não poderia ser sonhada porque se faz do imprevisível do corpo que vai sendo e o sonho tem muito de invenção de possíveis, mas tem também um tanto de projeção, de desejo… ou seria vontade? não precisa ser assim, é verdade, mas essa é uma imagem que tenho de sonho (olha a loucura, sofia!): o que eu queria ser. como eu queria dançar. taí, a dança pra mim sempre teve um tanto disso, um cheiro desse sonho. sonhava ser bailarina e, enquanto sonhava dançar,o corpo entrava em catatonia. catatonia por pânico diante do tamanho do sonho. coisas grandes assustam. e esse susto às vezes ofusca a vista para o que há de mais ínfimo. a dança que eu não sonhei é menor, pequena, minúscula, telescópica. mergulho nela através da dobra. sigo a ruga que se faz na articulação entre aquilo que às vezes chamam de fêmur e bacia. tento permanecer sem colapsar na forma que aquela dobra vai sendo. e o movimento do espaço que segue crescendo nesse que vai sendo dentro aparece também como o movimento de migração da própria dobra. o corpo é mesmo tridimensional na sua experiência!! queria experimentar habitar o silêncio e queria permanecer na quietude da forma (?!), mas é o fumo que se faz. a mudança imperceptível em sua clareza. que nem pedra, lentamente esculpida pelo vento, pela água… pelo existir no que é comum. ou que nem o movimento da planta crescendo com o sol (penso no esquema em desenho escolar da fotossíntese), que a gente vê naquelas imagens de super câmera lenta tipo national geographic. o corpo não precisa de câmera, mas às vezes é super lento. a dança que eu sonhava dançar era diferente, era veloz e leve. nessa dança que vai sendo um fumo denso, mesmo lentíssima, a permanência é o próprio movimento (ou é o movimento que é mesmo a permanência). a forma só parece congelar quando perco o acompanhar da viagem da dobra com a mania automatizada de fazer coisas às coisas. essa viagem é, sim, ingovernável!! (viver é mesmo melhor que sonhar, já dizia um rapaz latinoamericano que morreu ano passado, mas esse ano não).

o corpo enquanto espaço geográfico
considerar a migração de uma dobra é muito diferente de considerar o transporte.
a viagem da dobra no corpo
isso pode ser só uma brisa
também é uma brisa
e é aí que dobra e vento se encontram.
quero falar do encontro dos silêncios, da coexistência de brisas num mesmo espaço tempo, que abriu espaço (túnel?) para emergir uma dança que eu não sonhei. ou, se calhar ,sonhei, mas não lembrei depois de acordar. que continue sendo um não território em meio aos mapas que a gente vive criando, até pros sonhos…
sofia (osório)

 

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