(DES)GASTE E VAMPIRISMO

(DES)GASTE E VAMPIRISMO
Ou olhar(es) mudos acerca da aridez (num sentido de desvitalização) dos gestos-palavras.

 “Este? Sim, o lugar social, foz atractiva do nosso olhar. Foi dito em livro que o homem é animal social. Teremos lido bem, se o social é a evidência que esse animal nunca aí conseguiu ser homem? Se animal fere o ouvido, digamos corpos pré-humanos que aí jamais aderiram a outra coisa que não fosse os variados nomes que ocuparam na batalha.

(…)

 O texto é, pois, ambicioso no que se inscreve, pelas exigências que decorrem do mito final: extensão a todo o corpo zoologicamente humano da dignidade teológica das almas. Será inconcebível aí, que almas imortais acompanhem corpos hierarquizados.
A alma e o corpo não existirão separados, nem serão dois, porque o corpo estará consigo mesmo, assumindo pelo sentimento o acesso ao se e a todas as cosmogonias próprias, de tal modo que nenhum corpo poderá ser naturalmente o executante de imagens alheias de poder. Assim sendo as finalidades do humano estarão a cargo exclusivo da própria espécie pré-humana.”

Lisboa, 28 de Setembro de 1982. A. Borges. In: Texto Para A Restante Vida. A RESTANTE VIDA; M.G.Llansol.

 Vociferando em itálico, o abismo para uma Dança (in)feliz, ocorre-me, navegando por lugares inócuos do espírito, aquela expressão portuguesinha “Abutres esvoaçando em torno de carne morta” (sem nada contra os ditos abutres de espécime animal-animal/Animal). Morta, pois aniquilada à nascença tal dádiva de criação suis generis cintilante em cada ente magnífico no seu âmago tão terno e profundo do que lhe é próprio. Vivendo numa contemporaneidade-eternidade de afeição pelo gesto-carácter da apropriação, o árido-ente-magnifico lá vai sugando do fictício entorno um desfeito desfecho da sua própria imagem medular, em prol dum proletariado social ? (Movimento de esmagamento da magnificência da simplicidade pueril das almas).
Alma-Corpo, Alma-Mater, de encontro à origem ainda que movendo-se num ambiente de asfixia em torno de lutas viciadas do poder-putrefacção, respira o sobrevivente-(i)mortal, em paisagem irrespirável ? Algures querido mestre, amigo e companheiro de viagem Ávila Costa, cedo, no sentido de precocemente, te escutei dizer, (e aqui vai outra expressão bem portuguesinha, pois é também um lugar-berço de continuidade esta terra-mundi onde vou (re)nascendo de instante em instante, emergindo portanto em mim algum património experienciável) – “fodem-se* todos uns aos outros com punhos de renda!” (agora em tons de cinza para suavizar o agri-doce das palavras). Expressão esta, que infinitamente me abala em imperscrutável-escuta-viagem do espírito da paisagem, num sentido de vibração-vislumbração pelo sopro-esperança de um talvez Homem-Universo, paisagem (in)digna de (im)possível cartografia-Mundi.

P.s.: Reflexões em torno do movimento de instituir Dicionários (enquanto códigos), instituir Danças, instituir Sentimentos, instituir Desejos, instituir Sonhos, instituir Poesis. O Humano e a fuga de si mesmo? Medo e Instituição. Liberdade e Instituição. Humanidade em jeito de Plágio. Sociedade-Espelho-Espasmo.

P.s.foto: Ler Maria Gabriela Llansol e Outras Manualidades. (Encontros livres às sextas na casa-c.e.m.) . Obrigada B.B. (que poderia querer dizer Brigitte Bardot, mas B.B no sentido de Bernardo Bethónico que tem vindo a fertilizar estes encontros fantasmagóricos).

*entenda-se fodem-se sem pinga de amor ou sentimento erótico.

i ~ (inês ferreira).

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