Saída para Nada

Segui hoje, sem comprometimento, a proposta da Clara de visitar o parque, que fica antes de chegar ao Largo da Severa. Por algum motivo, na tarde de carnaval o parque suscitou-lhe interesse e decidi acompanhá-la nessa demanda da rua.

Saímos do c.e.m pela Rua dos Fanqueiros, conversando dos universos imaginários de Clara no Largo dos Trigueiros, decidi-mos passar por lá e viver o luto de não existir  um escorrega azul e amarelo no largo. Por lá falei-lhe do interesse no gesto que descobre uma ligação entre a articulação do fémur e os dois dedos das mãos ( o polegar e o mindinho). Continuámos a nossa demanda pelas escadas pequeninas que  desciam para uma das ruas paralelas ao Martim Moniz.

Senti, realmente, que a praça muito ampla e bonita, pronta para receber os turistas no eléctrico, não é afinal tão bonita quanto aparenta. Os problemas foram varridos para as ruas pequenas dos arredores e não se manifestam ao pé do eléctrico 28, para não perturbarem os turistas nas suas viagens pela cidade bela que é Lisboa… filas e filas de turistas, todos os dias, esperando uma viagem … seguimos pela calçada, até à entrada da rua … e lá estava o parque infantil.

Já não havia a placa com o horário de funcionamento e não havia limites de idade “mínimo crianças de 1 ano” “máximo pessoas de 200cm” é um parque para crianças e séniores. Está dividido em três partes: o espaço para os bébés, almofadado e com um pequeno baloiço, a seguinte divisão com um poste de luz, dois bancos para sentar e um bonito graffiti de uma mãe a olhar o seu filho … calculo que tenha sido pensado para as mães, que ficam a aguardar, enquanto os filhos brincam, uma sala comum ao ar livre… a terceira divisão com uma construção de dois escorregas e uma casinha bonita de madeira e verde. Despertou-nos curiosidade um jardim, talvez uma vegetação abandonada… como sozinhas não conseguíamos subir, em frente ao parque um senhor ficou curioso. pedimos-lhe umas escadas, a ver se ele nos emprestava… esperámos  esperámos, até que sai uma escada da janela do edifício que tinha as portas tapadas com pedra… subimos até lá a cima fazendo amizade com uma bananeira, um pinheiro e uma gruta com materiais de casa abandonada, talvez uma cave de um edifício antigo.

Senti um lugar que precisava de ser cuidado, amado e ocupado para uma relação de amor…

Apareceu-nos as rotações dos cotovelos o movimento acompanhado pelos dedos das mãos uma espiral no plano do coração um mergulho quase a chegar ao chão, mas no quase, a bacia as pernas e os braços sustentaram uma relação de gravidade e anti-gravidade do corpo…

Sempre a reorganizar a frente a trás as linhas e o corpo – talvez um corpo gelatinoso, talvez um corpo marioneta, talvez um corpo samurai

um som da boca, só reproduzido, marcando um ritmo não sendo ritmo e um senhor do lado de fora do parque que grita … “travessia”… e essa consideração apareceu na ânsia de escutar o espaço e de escutar a Clara…

A travessia acontecia, passou pela densidade de uma pequena divisão pesada e vazia de vida, uma segunda divisão de transição e uma terceira para um espaço que convidava de novo à dança…

Saímos do parque e por uma rua descobrimos o café do senhor ” João primeiro Melo último” que nos contou que em tempos aquele lugar tinha sido um prédio em ruínas e  mais tarde virou uma frutaria, que passou para o espaço ao lado do café e dizia-se que era da Dona Coimbra, que morreu…o parque passou a existir e a frutaria fechou, porque ao  companheiro da Dona Coimbra tinham-lhe dado as tromboses…

Na quarta esperamos lá voltar

Catarina

20-02-2018

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