diário da alegria 11.06

Praça da alegria 11.06.2018

 

sentei ao lado do homem que demora.
tem uma presença rocha
sua demora parece vir do leste europeu ou alguma terra distante. tem a calma do gelo.
hoje estala a festa pelos chapéus vermelhos da cerveja. corre a pena mais em sinal de estar aqui que em vontades específicas.
já me apercebi à beira, e a vontade tem que ser do interior.
a qualidade da fala dos lábios irradiam uma certeza.
a sofia ó chegou e se sentou aqui ao lado.
ela procura alguém, eu encontro ela.
desveloz e doce, cumes de montanhas vão aos poucos se ralando com o vento. dissolvem-se camadas de gelo e o sol entra sem querer. damos conta das plumas das pãinas e da simplicidade de uma companhia.
pombo passa rasante, um pé de soslaio deita-se na paisagem. alguns timbres hoje se beijam.
é festa na cerveja.

o ser aqui ao lado ainda demora.
creio ser ucrânia
finalmente, fuma

distinguem-se camadas diversas nesta pequena praça
gentis demoradores de longos tempos, não haveriam de sair daqui.
alguns viajantes passam
os que vêm à festa…
a sofia ó a procura de uma pessoa
pomba
senhoras
farfalhares de verde
respingar de águas
as árvores ainda…

ginga rebola larga ladra antes de assinalar o caminho
deitado, olhos fechados, coincidentes gentes ao redor e o mundo à rodar.
se deixar estar sem lamber os olhos com as imagens de fora
sombra aqui ali acolá e ainda a rocha dos entes do banco.
persistir em existências de praça
qual será a navalha que corta este instante?
à espera me pousei na mesma seleção musical dos dias anteriores de festa de santos.
bate palma pra cá bate pra lá, roda roda e ninguém dança.
ali acima
acho graça o casal com pares iguais de sapatos. rosa.
e o homem aqui ao lado, outro homem, do outro lado.
rompeu-se em si um pouco e cuspiu ao lado os olhos para mim e a saliva ao chão
curiosidade paira. e continua-se a beber cerveja
desloco-me
afinal estes seres, aqueles homens, são mesmo os que aqui sempre estão
percebi ao sair dali que a curiosidade cuspida ao ar era mesmo o reconhecimento do homem ao perceber que era eu quem estava a dançar aqui no outro dia. reconheci-o eu
voltei ali para trás na zona protegida pela cerca. deitei ao sol
dormitando, quando em vez contemplando as pãinas a voar… a pãina é uma semente que desce à terra pela flutuação de uma pluma macia e branca

meus olhos a seguir vias aéreas, até dar com o homem da cerveja,
agora estava assim mesmo ao meu pé. dormia

 

IMG_9144.JPG

 

júlia lá

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