o que vai sendo o pedras?

O Pedras- Práticas com Pessoas e Lugares, é um exercício da especificidade da Investigação, Criação e Formação do c.e.m na relação com cada umaum, com espaços de ajuntamento e com a contínua geração de cidade. A deslocação (em 2005) da “casa do c.e.m” desde os bombeiros da Praça da Alegria para a R. Fanqueiros, provocada pela derrocada de parte das instalações, adensou essas práticas, anteriormente realizadas pontualmente. Habitar o coração de Lisboa acentuou o desejo de exercitar a escuta da cidade enquanto acção e, enquanto implementávamos actividades como “reverdejar a cidade” que consistiam em migrar entre casas ou estabelecimentos comercias transportando plantas e outros verdejamentos semeados e nutridos em cada lugar fomos praticando caminhadas e poisios (a que chamámos rotas) que nos iam alinhando com outras formas de cidade que co-existem com o que conhecemos enquanto “cidade”. Muitas vezes as nossas práticas foram alinhadas com as “derivas” dos Situacionistas no entanto o que sempre nos norteou parece diverso: Estar para nada, permitir que o encontro nos ensine sobre deformação! Não ter à partida um objectivo que não o estar em cada “ali”. Em 2007 tivemos o financiamento da CML para produzir “Memória-Relva no Camões” cobrindo de relva a praça e, sem assinar a acção e exigindo que esta não tivesse o cunho presente dos financiadores, devolvemos a Lisboa um espaço de Estarcom que rapidamente foi apropriado por cada pessoa que lá se demorava durante o dia com as famílias e quem mais se ajuntasse como se sempre o Largo tivesse sido um jardim “sem dono”. Desde a manhã de 25 de Abril e até à noite de 1 de Maio os bombeiros tomaram para si a vontade de regar e tratar o espaço trazendo os filhos e os netos, os “bêbados” do Bairro Alto implicaram-se em limpar cada manhã as garrafas dispersas e o dia escorria no com-vívio de quem lá passava. Quando chegou a altura de retirar a relva os rizomas entravam por entre as pedras e a chuva caía agreste, esse foi o cenário que nos permitiu, depois de entregar pedaços de relva a instituições e quem mais quis transportar fragmentos, pensar que tanto dinheiro não podia estar afectado a uma fruição tão pontual. Assim começámos a focar não numa acção “brilhante” e fugaz, mas em exercícios de continuidade. O Pedras é exercitado em Lisboa e tem aberto as suas práticas, devidamente re-afinadas, para outros lugares do Mundo.

O c.e.m “mora” no coração de Lisboa e a sua imersão no tecido urbano onde se insere é incontornável. Desde a Baixa percorremos a pé demoradamente, cada temporada, toda a área circundante que constitui hoje a Junta de freguesia de Santa Maria Maior e parte das áreas integrantes das Juntas de Freguesia de Arroios e da Misericórdia. Em toda esta zona que vai da Mouraria ao Mercado da Ribeira ou à Calçada de Santana o relacionamento com pessoas e lugares é próximo e continuado. Nunca partimos da vontade de trabalhar com grupos específicos ou instituições, a relação começa sempre no encontro um-a-um e na constatação de que não se é Corpo sozinho. Ao longo dos anos fomos acompanhando pessoas que moram isoladas ou mergulhando na Creche ou no Centro de Dia locais e qualquer uma destas presenças continua a ser bem vinda na “casa” do c.e.m, sendo que todas as práticas são de entrada livre para quem vamos estando-com nesses outros contextos. Não temos práticas “fechadas”, nem mesmo a reuniões das equipas. Muitas das actividades acontecem na rua “conversando” com o quotidiano da cidade. A necessidade de recolhimento ou de expansão de cada prática está presente na atmosfera que se cria e não na regulação público/privado. A qualidade de estar-com e a abertura e acolhimento a qualquer pessoa independentemente da sua “aptidão” física ou intelectual, do seu “estracto” social do seu género, idade ou que mais possa nos distinguir enquanto humanos é permanente e perpassa qualquer pessoa que integra as equipas do c.e.m em qualquer lugar. Aquilo que aprendemos com a experiência em Lisboa nutre o que vamos praticando em qualquer cidade ou espaço.

o que vai sendo o pedras18 só vamos sabendo caminhando…

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